Facilidades de comprar online incentivam o consumo e a proliferação de sites do seguimento
Por Aline Peralta
O modelo de site de compras coletivas que conhecemos hoje foi criado em 2008 – pelo Groupon em Chicago – e desde então virou febre nos quatro cantos do mundo alavancando a economia e facilitando a vida de muitas pessoas que preferem fazer compras pela internet. Por aqui foi só uma questão de tempo para que dezenas de empresas também se lançassem nesse novo e promissor mercado.
O pioneiro Groupon logo desembarcou no Brasil, como o nome de Clube Urbano – que logo seria rebatizado como Groupon – e outros como ClickOn e Citybest que também surgiram na mesma época. Em novembro do mesmo ano, foram registrados mais de 246 sites de compras coletivas, um número elevado pelo período de tempo.
Surgiram diversos sites pequenos, que se manteriam por um tempo, mas devido a concorrência com outros sites maiores acabaram falindo, uns fecharam suas portas e outros fizeram fusões com sites maiores.
Essas facilidades incentivaram o consumo, algumas pessoas impulsionadas pelos grandes descontos – que podem chegar até 90% - adquirem os produtos e serviços sem sequer analisar sua real necessidade afim de não deixar passar aquele oportunidade. Essa compulsão pode gerar grandes frustrações na hora de usufruir dos serviços contratados, principalmente quando o consumidor não presta atenção no regulamento ou nos termos de uso do cupom ou ainda quando o estabelecimento não supera as expectativas.
Depois da febre dos sites de compras coletivas, alguns sites tiveram que fechar suas portas, para ilustrar melhor essa situação, conversamos com publicitário Fábio Cordeiro, 29 anos, sócio do extinto site de compras coletivas Desconto & Diversão:
Internétic@: Como surgiu a ideia de criar o Desconto & Diversão?
Fábio Cordeiro: !D iniciou como uma brincadeira. Juntamos alguns amigos e acreditamos no potencial do mercado brasileiro. Analisamos a nova tendência em compras coletivas que já fazia sucesso em todo o mercado maericano e agora estava se tornando tendência também no Brasil.
Impulsionados pelo desejo de inovar e acreditando fortemente nesta nova “onda”, demos início ao !D, projeto o qual começou todos os quatro elementos em casa. Neste momento trabalhávamos em diferentes empresas em tempo integral tendo apenas as madrugadas para desenvolver nosso projeto paralelo.
Criamos a identidade visual, a programação, as validações de segurança, projetos de marketing on-line e demos inicio ao projeto em Outubro.
Para nós era um novo mundo, pois nenhum de nós vinha de áreas especificas de e-commerce.
Impulsionados pelo desejo de inovar e acreditando fortemente nesta nova “onda”, demos início ao !D, projeto o qual começou todos os quatro elementos em casa. Neste momento trabalhávamos em diferentes empresas em tempo integral tendo apenas as madrugadas para desenvolver nosso projeto paralelo.
Criamos a identidade visual, a programação, as validações de segurança, projetos de marketing on-line e demos inicio ao projeto em Outubro.
Para nós era um novo mundo, pois nenhum de nós vinha de áreas especificas de e-commerce.
@: E como foi o desempenho inicial e a aceitação do site?
FB: Tivemos um lançamento do site com promoções que no início eram estabelecimentos de amigos que nos ajudavam, sem muito acreditar no negócio. Após 15 dias “rodando” o site sem grandes promoções ou ações de marketing, começamos a obter inúmeras visitas e algumas vendas significativas; era o efeito do boca-a-boca acontecendo.
Tivemos um crescimento expressivo em vendas e em dezembro decidimos realmente injetar capital na empresa. Não era mais brincadeira! Era a hora de apostar todas as fichas. Foi então em janeiro que realmente tínhamos uma empresa.
Infra-estrutura, capital de giro, funcionários contratados, estávamos prontos para disputar um lugar em um mercado tão voraz, onde se ganha alto e perde-se rápido. As promoções agora tinham volume, estávamos vendendo bem, possuíamos equipe comercial e faturávamos o suficiente para pagar as contas da empresa. Mas o mercado começara a se demonstrar saturado, devido a “onda” e grandes faturamentos, diversas empresas foram constituídas ao longo de apenas 2 meses. Competíamos com mais de 60 sites comparados aos 10 do ano em 2010.
Tivemos um crescimento expressivo em vendas e em dezembro decidimos realmente injetar capital na empresa. Não era mais brincadeira! Era a hora de apostar todas as fichas. Foi então em janeiro que realmente tínhamos uma empresa.
Infra-estrutura, capital de giro, funcionários contratados, estávamos prontos para disputar um lugar em um mercado tão voraz, onde se ganha alto e perde-se rápido. As promoções agora tinham volume, estávamos vendendo bem, possuíamos equipe comercial e faturávamos o suficiente para pagar as contas da empresa. Mas o mercado começara a se demonstrar saturado, devido a “onda” e grandes faturamentos, diversas empresas foram constituídas ao longo de apenas 2 meses. Competíamos com mais de 60 sites comparados aos 10 do ano em 2010.
@ Por que site acabou? Quais fatores contribuíram para isso?
FB: A matemática já não era a mesma, a aceitação dos clientes também não, encontrávamos perdidos. Nosso capital já não era suficiente, havíamos investido 50 mil reais para iniciar a empresa enquanto outros concorrentes haviam injetado mais de 1 milhão e reais. A partir de fevereiro de 2011 estávamos no vermelho, investindo mais do que conseguíamos arrecadar, tentamos diversas fórmulas para retomar a operação e conseguir um aumento no faturamento expressivo mas sem sucesso até abril. Foram 3 meses de brigas, de diferentes ponto de vista e o pior, os sócios já queriam abandonar o barco.
Foi final de abril que as coisas começaram a mudar, parecia que havíamos encontrado a fórmula. Estávamos nos recuperando de mais de 30 mil reais de prejuízo, as vendas estavam melhorando e nosso faturamento aumentando dia-a-dia. Mas os ânimos não estavam bons, as diversas brigas já havia desgastado a equipe e 2 dos 4 sócios queriam sair do negócio.
Em junho as coisas já estavam estabilizadas, as contas fechavam mas os sócios não se davam mais. Estavam magoados. Em uma reunião foi decidido o fechamento da empresa neste mesmo mês.
Foi final de abril que as coisas começaram a mudar, parecia que havíamos encontrado a fórmula. Estávamos nos recuperando de mais de 30 mil reais de prejuízo, as vendas estavam melhorando e nosso faturamento aumentando dia-a-dia. Mas os ânimos não estavam bons, as diversas brigas já havia desgastado a equipe e 2 dos 4 sócios queriam sair do negócio.
Em junho as coisas já estavam estabilizadas, as contas fechavam mas os sócios não se davam mais. Estavam magoados. Em uma reunião foi decidido o fechamento da empresa neste mesmo mês.
@Em sua opinião, qual o destino dos sites de compras coletivas no Brasil?
O modelo de compras coletivas veio para ficar, mas talvez não neste modelo que encontramos hoje, é o mercado vai ditar quem sai e quem fica. Empresas compromissadas com o bom atendimento e inovação continuarão a faturar alto enquanto aquelas que não cuidam de seus clientes e não inovam vão acabar.
O mercado de compras on-line ainda vai crescer muito, estamos engatinhando em compras online em relação aos Estados Unidos ou Europa.
Hoje menos de 20% da sociedade utiliza o computador para comprar, ou seja, o crescimento é inevitável, temos 80% de boas oportunidades ainda a ser explorada.
O mercado de compras on-line ainda vai crescer muito, estamos engatinhando em compras online em relação aos Estados Unidos ou Europa.
Hoje menos de 20% da sociedade utiliza o computador para comprar, ou seja, o crescimento é inevitável, temos 80% de boas oportunidades ainda a ser explorada.

